Afonso Dhlakama continua zangado. E cada vez mais zangado. Depois de analisar, segundo palavras dele próprio, de forma minuciosa o relatório elaborado pelo Observatório Eleitoral (OE), diz Dhlakama ter chegado à conclusão de que a organização dirigida por Brazão Mazula é um verdadeiro pau mandado da Frelimo, daí que devia imediatamente ser banida do país. Sustenta o ainda líder da oposição moçambicana que, num processo em que as irregularidades tanto no recenseamento eleitoral, assim como na votação foram registadas em números consideráveis, não se percebe como é possível que apareçam pretensos observadores a pintarem os seus relatórios a cor de rosa. Ou seja, a dizer que o processo eleitoral decorreu plena e completamente de forma limpa.
Entende Dhlakama que este comportamento só vai contribuir para lançar mais achas à fogueira, pois é mais uma prova de que o processo eleitoral foi manipulado sob orientação e a favor do partido no poder, a Frelimo e seu candidato presidencial.
Dhlakama chegou mesmo a dizer que, por aquilo que se escreve no relatório, “até parece que foi elaborado por crianças que se dirigem à rua para jogar berlindes. Isto é uma fantochada e é um relatório de pessoas infantis. Mas nós reiteramos o que vimos e condenamos este tipo de observadores” – disparou Dhlakama para depois dizer que estava completamente decepcionado com o Prof. Dr. Brazão Mazula.
Para Dhlakama, esta personalidade moçambicana que, por vários anos foi reitor da Universidade Eduardo Mondlane, demonstrou ter vendido a sua intelectualidade por cores partidárias.
Dhlakama, em tom comparativo, citou e questionou as razões das diferenças notáveis entre o relatório do Observatório Eleitoral e os relatórios feitos por missões internacionais. É que, estas missões, embora tenham considerado, no global, positivo o processo de votação, criticaram severamente o processo anterior, particularmente as controversas exclusões de grande parte de organizações políticas e cívicas que tinham demonstrado interesse em concorrer nas eleições.
“Será que as irregularidades que outros observadores internacionais viram e reportaram não foram vistas pelo Observatório Eleitoral. Viram, mas esconderam porque não são observadores, mas sim, comissários da Frelimo” – questionou e respondeu Afonso Dhlakama.
AEP/Raul Senda

